IV, V e VI Períodos

SUPLEMENTO CULTURAL (OU QUARTO PERÍODO) 
(1958-1965)
 "Cabá vapor – cabá carvom...
Nos campos dantescos de S. Vicente

Já não se fazem mais piqueniques
Porque cabá vapor e chuva cabá dias-há
Movimento cabá na Mindelo
S. Vicente é um estendal de misérias
Porque cabá vapor, cabá carvom e cabá chuva!
Cabá vapor – cabá carvom...
Gente de São Vicente pâ câ morrê de fome
Tem que bá ‘mbora pa São Tomé!
Cabá vapor – cabá carvom..."
(Onésimo Silveira)


Como dito anteriormente, o fim do período Claridoso se deu por um de movimento anti-evasão, tendo como lema dito "Não vou mais para Pasárgada", e autores conhecidos como Geração da Nova Largada, em 1958.
Tem como objetivo reafirmar a identidade de Cabo Verde, sua negritude, seus problemas e a criação de uma nova pátria independente de seu colonizador. É um período marcado pela sua geração revoltada com a situação do arquipélago. 
Uma das marcas de seu período é a mesclagem entre o português e o crioulo, exceto pelo autor Felisberto Vieira Lopes, que utilizava exclusivamente crioulo em suas obras.
São obras por vezes com temas repetidos, enfáticos. Seus autores tinham como objetivo exprimir sua revolta com a situação política e social do país.
Autores importantes: 
Onésimo Silveira, José Gabriel Lopes da Silva Mariano.


UNIVERSALISMO (OU QUINTO PERÍODO)
(1966-1982)


"Como a deferência, a referência, a tarefa exemplar
reflectem a ingenuidade e o esforço
com que durante todo o nosso tempo de vida
deixarmos atenuar junho, setembro,
o ventre de tal gravidez, a ilha insossa
e o pânico hoje rememorado como
uma baía com muita brisa preliminar,
tal há uma madeira, uma maneira, uma urgência
para inscrever os nomes de todos os que nos precedem
ou na morte nos seguem
e nem deus o sabe porque é menos imortal
 que a esperança
e só se diz do arrojo dessa peculiaridade
o que escapa ao património comum
do espanto e do milagre
que cada elo urdem entre os humanos desígnios.
Que é como quem diz: tudo o que
 assim acontece sucessivamente
a terra fecha do lado da liberdade
e premedita."
 (João Vário)
Começa com a união entre Guiné-Bissau e Cabo Verde na luta pela independência de Portugal, e com a publicação da revista Pão & Fonema, de Corsino Fontes, e de O Primeiro Livro de Notcha, de Timóteo Tio Tiofe. É um período de exaltação da índole crioula em múltiplos aspectos, sendo considerada a principal arma para reafirmá-la como um instrumento linguístico privilegiado. Chama-se Universalismo pelo aspecto estético-formal predominante, que era o da literatura clássica universal. Foi um período do nacionalismo pleno e, após sua independência em 1975, mostrou Cabo Verde para o mundo. 
Principais autores: João Vário, Corsino Fontes, Timóteo Tio Tiofe, Arménio Vieira e Silva e João Manuel Varela.

CONSOLIDAÇÃO (OU SEXTO PERÍODO)
(1983 - )

Passava o tempo a imaginá-los morrendo no mar e um dia comecei a escrever o que via. Escrevi uma longa estórea. Durante esse tempo convivi com eles, tu cá tu lá, acompanhando-os no alto mar lutando com a angústia da morte. Vinguei-me transferindo para eles o medo que vinha sentindo e terei mesmo tido a maldade de deixar que um ou outro fosse comido por tubarões no meio de gritos de cortar o coração. O certo é que no fim estava completamente liberto” (Germano de Almeira)

Período de consolidação da cultura crioula e da independência de Cabo Verde. Começou com a publicação da Revista Ponto e Vírgula, fundada por Leão Lopes e Germano de Almeida.
Na obra de ambos, tanto no cinema quanto na literatura, a crítica a postura conservadora de sua população é fortemente criticada, criando uma visão mais ampla dos problemas sociais que se causam devido a isso. 
Atualmente, Germano de Almeida é o autor mais conhecido e lido de Cabo Verde. De suas obras, uma foi publicada também no Brasil, chamado O Testamento do Senhor Napamuceno. A mesma obra, em parceria com Brasil, Cabo Verde e Portugal, também virou filme, tendo o ator brasileiro Nelson Xavier como protagonista. 
Como observado, a literatura cabo-verdiana está em plena fase de crescimento, cada vez mais reafirmando sua cultura diferente e única para o mundo. É esperado que sua importância cresça cada vez mais para o resto do mundo. 

Texto de autoria de Suzana Barbosa e Lucas Motta, do blog Eu Me Chamo Cabo Verde. 2014  © A reprodução de conteúdo é autorizada desde haja a fonte citada com o link

Um comentário:

  1. Foi valioso para mim, entretanto, deveria agrupar todos os períodos da edificação do muro e panorama da literatura cabo-verdiana.

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